10 de setembro de 2013

O cavalinho mais caro do mundo

Como não fomos a Maranello depois de Rimini, voltamos na semana seguinte. São quase 200 km de Milão, mas a estrada é tranquila e a gente nem sentiu a distância. Fomos sábado de manhã cedo e voltamos no final da tarde.

Pra quem quiser programar uma visita, seguem os endereços:



Maranello fica na região de Modena e, além da Ferrari, a Lamborghini também está por ali. Só carrinho bááásico!

Logo que chegamos, fomos para o Museu. Facinho de achar, fácil pra entrar. Fizemos um pacote família e economizamos tipo uns 2 euros!





É Ferrari pra todo lado. E depois das Ferraris, o que mais tem por lá é brasileiro. Tava cheio. Rodamos aquilo tudo. Vimos os carros antigos, novos, projetos, salão dos campeões, troféus etc. Uma coisa que chamou nossa atenção foi o fato de não ter absolutamente NADA sobre o Barrichelo. Ë como se o cara não tivesse existido na história da Ferrari. O Massa tem um totem pra tirar foto, só. O Schumacher é rei. Muita foto, troféus, capacetes.



Olha o Massa aí

"Mãe, podemos ter uma Ferrari?" "Claro, filho"




Só trabalha homem na ferrari. nenhuma mulher...
e aí mulherada, vamos invadir?


As crianças gostaram do programa e queriam levar uma ferrari pra casa. Simples, assim. No finalzinho do Museu tem um simulador. Basta ter mais de 1,50m, pagar 25 euros na entrada e você pode ter a sensação de pilotar um Fórmula 1. Dudu queria demais, mas tem que esperar mais 20 cm...Pra compensar, fizemos uma foto das crianças numa photo box. Um calendário gracinha dos dois por 6 euros! Preço de Ferrari.


Além disso, lá dentro tem um bar e uma loja beeem fraquinha. A loja de Milão dá de 10 na do Museu. O mais legal da loja foi uma conversa que ouvi entre um cliente e a vendedora:

Cliente: Por favor, eu queria uma blusa como essa que estou usando.
Vendedora: Como essa nós não temos.
Cliente: Como não? Assim mesmo: gola polo, com o nome escrito no peito.
Vendedora: Senhor, não temos por que a sua blusa é da Porsche!

Pessoas sem noção, a gente vê por aqui!




Saímos do Museu e fomos tentar fazer o passeio de Ferrari. Logo na frente tem uma brasileira que agenda passeios. Você pode escolher o modelo do carro, o tempo do passeio e a hora. Ela estava com a agenda lotada. Reservamos e ficamos de confirmar se iríamos ou não, pois o horário disponível era muito tarde. Continuamos o passeio e vimos uma lojinha grande e um estacionamento com Ferraris. Chegamos lá e, além de ter carro disponível aquela hora, era mais barato.



Fiquei na dúvida se comprava a amarela ou a vermelha...

Nasci pra dirigir isso aí, né não?





No passeio vai um motorista, o co-piloto que é alguém da loja e mais 2 passageiros. Marido foi dirigindo e as crianças foram atrás. Foram só 10 minutos de passeio, mas foi inesquecível. As crianças amaram e marido acelerou e eles levantaram as mãos como se estivessem numa montanha russa! Como eu sei? O passeio é filmado e pelo absurdo de 20 euros, você leva o DVD pra casa. E quem resiste depois de ver os pimpolhos com as mãos pra cima e gritando UHUUU?! DVD comprado!

Por que eu não dirigi? Porque eu não corro. E acho um pecado dirigir uma Ferrari a 80 km/h. 

Saímos de Maranello e fomos almoçar na cidade-fantasma de Modena. Estava deserta, tudo fechado. Até os restaurantes. Peguei indicação de um restaurante, mas não estava aberto. Não tinha viva alma na cidade. Todo mundo na praia! Até que passamos numa ruazinha e tinha um restaurante aberto. Já eram 15 horas, não tinha nenhum cliente, mas a moça super simpática disse que nos atenderia. Comidinha simples e gostosa. Demos só mais uma voltinha na cidade e voltamos pra Milão.


Modena-fantasma

Temos que voltar quando a cidade estiver "aberta"!

8 de setembro de 2013

Ferragosto = Rimini

Ferragosto, o super feriado da Itália, dia em que TUDO fecha. Quando eu digo tudo, é tudo mesmo. Restaurante, bar, farmácia, supermercado, tudo! Como é no meio de agosto e do verão, a única opção de vida acontece nas praias. Todo mundo vai pra praia. TODO MUNDO! 

Este ano, o feriado caiu numa quinta-feira. Marido conseguiu uma folga na sexta e partimos pra Rimini. Na verdade, procuramos hotel em Viareggio, mas não tinha nenhum disponível. Rimini foi um lugar que fomos no nosso primeiro ano aqui e havíamos gostado muito. Resolvemos repetir. 

Saímos quinta-feira pela manhã e a estrada estava ótima! Bem tranquila, muito diferente da nossa primeira vez (a primeira a gente nunca esquece, né? Ainda mais quando se demora 7 horas pra rodar 330 km!). Depois de 3 horas e tal já estávamos por lá. 

Na verdade, nosso hotel era perto de Rimini, em Viserba. Segundo o site do hotel, ele ficaria a 10 minutos do centro de Rimini, mas não é não. É mais distante. Correndo dá quase 40 minutos e de carro, uns 20 minutos. Valeu a pena por causa do hotel que era, literalmente, na praia. Colado nele, tinha uma barraca com estrutura de caminha, guarda sol, banheiros, chuveiros, bar e parquinho. Excelente. Além disso, o hotel era um flat muito bem equipado e bem moderno. No nosso quarto tinha banheiro, sala, quarto, cozinha. O café da manhã não está incluído, mas optamos por comprar guloseimas no supermercado e comer no quarto mesmo. Achei tudo uma gracinha. O único problema, a meu ver, é que só fazem limpeza de 3 em 3 dias...eles deixam uma vassoura por lá e eu, como boa capricorniana fiz a limpeza todos os dias.

Vista do Terminus Residence
O hotel fica entre a praia e a rua principal de Viserba, onde rolam as atividades noturnas. Uma dificuldade por lá foi encontrar restaurante pra jantar. Não imaginávamos que estaria tão cheio e não fizemos reserva. Resultado: no primeiro dia comemos num "bandeijão" bem, mas beeeem fraquinho. Ou era o bandeijão ou fome. Fomos nele mesmo. Do lado do restaurante tinha um parquinho e as crianças se esbaldaram depois. Ficaram girando numa cadeirinha horas. A moça do brinquedo colocava uma vara de pescar com uma fita e a criança que conseguisse, durante o giro, pegar a fita, ganhava uma rodada. A Duda pegou uma vez e eu tive que pagar uma extra pro Dudu. Aí, na extra dele, ele pegou a fita e tive que pagar uma extra pra Duda. Detalhe: a moça abaixa a vara de acordo com a vontade dela, ou seja, ela faz isso pra ganhar mais duas rodadas. Vimos isso acontecer com mais 2 casais de irmãos. Esperta pra caramba! Até parece brasileira! 



A partir das 20:30, a rua é fechada para o trânsito.
Muito gostoso passear por ali.
Lanterna do ferragosto
Na primeira noite vimos uma coisa linda, muitas lanternas no céu. Parecia a cena do desenho da Rapunzel. Era a comemoração do ferragosto. Várias barracas de praia estavam abertas, rolando aperitivo e as tais lanternas. As crianças adoraram. Nós também.

Nossa rotina era sempre a mesma: corridinha, praia até enjoar, saída a noite pra jantar. Simples e perfeita. 

No segundo dia, fomos jantar num restaurante brasileiro em Rimini. O Terrasamba. Pão de queijo, picanha, arroz e feijão. Delícia. Demos uma volta pelo centro e, definitivamente, Rimini é melhor que Viserba. Muito mais opção. Uma ruazinha cheia de lojinhas maravilhosas, botecos, calçadão!! Pois é, em Viserba não tem calçadão. Os hotéis ficam na praia mesmo. Pra correr é preciso encarar os carros pela rua. Só mais pra frente que tem um calçadãozinho...faz falta.

Fim de tarde em Rimini



Na nossa barraca de praia tinha até animadora infantil. Cada dia com uma atividade. Rolava fruta para a galera, algodão doce, aula de dança. Muito atenciosaos. O parquinho era ótimo e meus filhos fizeram amigos e curtiram bastante. O mar não é dos melhores. Tem umas pedras e forma uma piscina. Impossível mergu;har, fica muito raso. marido e as crianças não aprovaram. Na minha vida não teve impacto algum. Não pretendia entrar no mar mesmo.




Na última noite fomos a uma pizzaria delícia em Viserba. Duda resolveu dar um nó numa maionese e num ketchup. Adivinha? Molho rosê na blusa da menina!! Bem na frente da pizzaria tinha outro parque e as crianças se acabaram de tanto brincar. 







Na manhã seguinte, resolvemos sair cedo e passar em Maranello pra visitar o Museu da Ferrari. No meio do caminho, engarrafamento. Como não queríamos ficar 7 horas na estrada, resolvemos seguir direto pra Milão. Imagina no período da tarde? Gato escaldado tem medo de água fria! Já dizia o...sei lá quem, mas alguém que sabia das coisas.  

30 de agosto de 2013

Coisas de Milão


Fui comprar uma garrafinha de água num bar e tinha essa placa:

"Por culpa de alguns, não vendemos fiado pra nenhum" (mais ou menos isso)

Ficou claro né? Fiado? Nem amanhã! Adorei a rima...

Agora, a pérola. Entrei no caixa automático do banco italiano e tinha essa linda colagem (feita por uma criança de 10 anos, provavelmente). Como boa brasileira desconfiada que sou, sai do caixa automático, sem fazer nenhuma transação e entrei na agência. Avisei que haviam colado uns avisos no caixa automático e a atendente me esclareceu que era pra eu ficar tranquilo que eles tinham feito a "plaquinha". Se fosse no Brasil, seria clonagem de cartão, na certa!

Tecnologia bancária de ponta

E aí? você colocaria seu cartãozinho aí?

Parco della Cave

Marido adora correr. Corre pra todo lado, em todas as cidades e, garanto, essa é uma ótima maneira de conhecer os lugares. Como ele tem um espírito, digamos, mais aventureiro do que eu, já correu por Milão toda. Pelo menos, a Milão perto da nossa casa.

Eu também adoro correr, mas adoro correr em circuitos circulares ou ruas em que você deve ir e voltar pelo mesmo caminho. Enraizada, eu? Rotineira? Imagina!  

Pois bem, moramos em Milão há quase 3 anos e eu só tinha corrido em um parque aqui pertinho de casa que adoro. A volta completa dá mais ou menos 4 km e você termina no ponto onde começou. Perfeito pra mim. 

Marido me falava há meses de um parque chamado Parco della Cave que não é longe de casa e tem um laguinho gracinha. Ele já descobriu mil caminhos pra chegar e sair desse parque e sempre me dizia para tentar ir pra lá. Na semana retrasada, a cidade estava deserta e aproveitei o trânsito inexistente para me arriscar em novas aventuras. Pra quê? Me diga, pra quê? Pra me perder, ué!

Milão deserta na semana do ferragosto
Primeiro, marido disse que eu tinha que passar pelo estacionamento do estádio Sansiro, pegar uma via por cima de um túnel (muito conhecido meu, pois é um dos caminhos para a escola das crianças), seguir pelo Hospital San Carlo. Aí, já comecei a me confundir. Tinha uma rua com uma bifurcação e marido tinha dito que eu devia sempre seguir reto. Como devo seguir reto se uma rua vai para a direita e a outra pra esquerda? Fui pra direita, pois foi a que me pareceu mais reta. Quando acabou o tal hospital, tinha uma via que ia pra trás dele e uma a direita. Como marido tinha dito reto no hospital, fui pra via que dava atrás dele. Não era, claro. Depois de uns 5 minutos correndo, comecei a notar que eu não ia chegar em parque algum. Voltei e segui pela direita. Depois de mais uns 5 minutos, encontrei! Parco della Cave, na placa! Entrei.


A pista lá é de pedrinha, mas reta e boa pra correr. Vi um córregozinho e fui seguindo pra ver se avistava o tal laguinho. E fui fazendo um circulo. Até que passei por uma mata e achei o tal lago! Viu como eu sou super situada? Ahã.



Depois de ter dado a volta no laguinho (ou não...), percebi que haviam 2 pistas: uma pertinho do lago, de asfalto, e outra mais por fora, a de pedrinhas. Como já estava há uns 15 minutos na de asfalto (nem sei como mudei de uma pista pra outra...), resolvi que era hora de voltar para a de pedrinha para não perder a minha saída. De repente, mato. Mato pra todo lado. Um córregozinho que não era o primeiro, definitivamente. Grama a perder de vista. Continuei na pista de pedrinha. Uma hora ia achar a minha saída. Depois de mais 20 minutos. Nada. Mato, bichinho sobrevoando, córrego. Gente? Quase nenhuma. E os prédios afastados? Todos amarelinhos iguais ao que eu tinha fotografado pra não me perder (ironia do destino). Pra onde olhava, predinho amarelinho. Tô perdida, pensei. Não! Isso é um parque: tem começo, meio e fim, disse pra mim mesma. E continuei. Nada. Mato, mato, grama, grama. Liguei pro marido. Sabe o que ele fez? Gargalhou! 

Depois de tê-lo divertido. Ele tentou saber onde eu estava. Não reconheceu o que eu estava descrevendo, mas lembrou do GPS do celular. Coloquei o hospital como destino. O GPS me disse que chegaria lá em dois minutos, pra continuar naquele caminho. E pra onde o GPS me mandou? Pra uma granja! Numa rua sem saída. Tinha galinha, galo, pintinho e dois portões que davam nas "costas" do hospital. Tentei abrir os portões e, lógico, estavam fechados. Comecei a voltar. O GPS recalculou. Me fez entrar numa estrada pequena, de terra mesmo, 500 metros, vira à direita, à direita de novo. Onde fui parar? Na granja de novo!!! Não é possível!!! Vou morar nesse parque?

Meus amigos de penas

Voltei e peguei outro caminho. Reiniciei o GPS que tentou me fazer voltar e eu me recusei. E andei e andei e o troço realculava a rota, recalculava a rota. Até que....em um mato em que era possível ver um prédio amarelinho de novo, ele me mandou seguir! Ahá!!! A minha saída. Super fácil! Levei só 1h30 dentro do parque!

Saí e mandei uma mensagem pro marido: Parco della cave, never more!

E aí? Quem quer que eu seja sua próxima guia de viagem?