3 de janeiro de 2012

Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo

Fomos passar o reveillon em Roma. Na verdade, iríamos passar em Milão mesmo, mas marido tinha que trabalhar em Roma na segunda, dia 02. Aí, não tivemos dúvida. Fomos no sábado e voltamos na segunda depois do trabalho dele.

Dessa vez, fomos de trem. E gente, super aconselho fazer isso. Viajamos pela Freccia Rossa. Um trem bacanão que vai a 300 km/h. Tem wi fi, serviço de bordo (lanchinho gostoso!), cadeiras super confortáveis, banheiros limpos. Confesso que eu curti mais do que as crianças. Fiquei até meio boba. Eu era meio traumatizada com essa história de trem....quando estive na Europa há 10 anos atrás, de férias com o marido, andamos muito de trem, mas eu traumatizei com a viagem que fizemos de Veneza para Paris. Foram 9 horas num trem velhinho, numa cabine com 6 (isso mesmo, SEIS!) caminhas. Não tinha nem lugar para as malas. Eu e Guto estávamos nas caminhas do meio. Parecia um caixão. A 30 centímetros do meu nariz, estava a caminha de cima. Para iluminar o caixão, ops, a cama, uma lanterninha mínima. Dormir? Impossível. Eu não via a hora daquela viagem acabar. Ainda bem que o destino era Paris e isso aliviou todo o sofrimento, mas traumatizei com a experiência.

Todo mundo acupado na viagem e eu tagarelava sem parar

Ninguém me dava bola...
Bom, chegamos, fomos ao hotel, deixamos as malas e fomos direto para o Coliseu. Nós e as torcidas do fluminense, botafogo, vasco e flamengo! Estava lotado! Nem conseguimos entrar, pois a fila dava a volta no monumento. Contamos a história do Coliseu para as crianças, as lutas para "entreter" o povo, a crueldade, os terremotos que o abalaram, os saques feitos em sua estrutura. Eles adoraram. E perguntavam e muito. Da próxima vez, alugo um guia.




A rua estava toda fechada, pois estavam montando um palco gigantesco para os shows em comemoração ao Ano Novo.



Contiuamos nosso passeio pelo Foro Romano (explica para uma criança de 6 anos que ali era o centro político, religioso e comercial. Vai, explica. Quero ver você conseguir. Te desafio! Duda queria saber absolutamente tudo sobre o Foro!), Monumento Vittorio Emanuele, Via del Corso, Pantheon, Fontana di Trevi e Piazza Navona.  




Acharam o Vittorio Emanuele lindo. No caminho para a Fontana di Trevi, encontramos a igreja de San Marcello. Dudu vibrava, pulava, ria e gritava, dizendo que era o Santo dele. Uma graça. Não, não demos o nome dele pensando no São Marcello, mas uma benção a mais não faz mal pra ninguém!





Adoraram a Fontana que estava tão cheia, tão cheia, que carnaval em Salvador ficou parecendo dia de missa em comparação a ela! Eles jogaram moedinha e fizeram pedidos (Dudu pediu um homem aranha. Eu aguento?! Duda não me contou e disse que se contar, o desejo não se realiza!). Depois, fomos ao Pantheon. No caminho, encontramos uma igrejinha com um presépio lindinho.






O que eles mais gostaram foi, por incrível que pareça, do Pantheon. Eles adoraram o buraco no centro e o fato de que, quando chove, molha lá dentro. Além disso, ficaram impressionados com as pessoas que estão enterradas ali. Queriam saber quem eram, quando morreram, o que faziam...




No final da tarde, chegamos a Piazza Navona que estava tomada por uma feira. Brinquedos, barraquinhas de comida, de doces, shows de todos os tipos de artistas de rua. Diversão para toda a família!

É lá que fica a Embaixada do Brasil! Nós 4 adoramos ver nossa bandeira espalhada por aí! E por sinal, brasileiro espalhado por aí é o que não falta. Encontramos dezenas pelas ruas de Roma!




Vimos um show de bolas de sabão gigantes e as crianças tentavam estourar as bolas o tempo todo. Coitado do artista. Foram no carrossel e, quando já estávamos saindo, um palhaço estava fazendo um show e, bem na hora em que estávamos passando, ele jogou um cachorrinho de pelúcia na nossa mão. Marcello gargalhava e ficamos para assisti-lo. No meio do show, ele chama um bambino e Marcello grita alto: Io, Io, Io!!! O palhaço o chamou. E foi muito engraçado! E meu filho ficou realizado!





Na volta, as crianças estavam muito cansadas, mas eu queria muito ver a Via del Corso iluminada. Fomos para lá, tiramos fotos enquanto os dois descansavam na calçada. Depois, Dudu gritava: Taxi, eu quero um taxi!!! Eita menino mal acostumado....



Só a capinha do Batman...
Voltamos ao hotel para nos arrumarmos, pois tínhamos reserva num restaurante para a ceia. Gente, que restaurante! Maravilhoso! Comida deliciosa, atendimento perfeito (é uma osteria, um negócio de família e quem atende são os donos e seus filhos. Esse tipo de restaurante é muito comum na Itália) e ambiente agradável. Se chama Ristorante Cannavota. Foi uma bela maneira de fechar um ano tão especial como 2011.



Amanhã eu volto com o nosso 2o. dia em Roma.

Ciao! Ci vediamo doppo!

30 de dezembro de 2011

Meu 2011

Estava assistindo a um programa de televisão e fizeram uma pergunta para as pessoas: Qual palavra resumiria seu ano de 2011? Pensei, pensei, pensei e diria que meu ano foi INTENSO! Intenso de mudanças, adaptações, emoções,  descobertas,  perdas,  alegrias,  dificuldades,  viagens,  novos amigos, velhos amigos, aprendizados, dúvidas, amor...No dicionário, intenso aparece como aquilo que se manifiesta ou se realiza com muita força ou energia. É...é isso mesmo, meu ano foi, definitivamente INTENSO!

No ano de 2011, eu mudei de País, desmontei uma casa e montei outra, aprendi que o desapego é um processo doloroso, mas gratificante, aprendi que guardo muitas coisas inúteis que ocupam muito espaço em minha casa e mente, aprendi que posso viver com muito menos do que penso que preciso.

Em 2011, mudei as crianças de escola, aprendi um idioma novo, aprendi a ser mais mãe, aprendi a não trabalhar fora e aprendi a fazer tudo em uma casa (cozinhar, lavar, passar, montar e consertar!).

Em 2011, aprendi a fazer novos amigos, aprendi a manter as antigas amizades, aprendi a viver distante de pessoas que amo, aprendi que nem sempre quem diz que é meu amigo, é realmente.

Em 2011, eu aprendi a amar a Itália e a respeitar cada particularidade dessa terra.

Em 2011, eu viajei muito, muito mesmo e aproveitei cada um dos lugares que como se fossem os melhores do planeta.

Em 2011, redescobri a minha família, a proximidade INTENSA fez com que eu tivesse mais noção do quanto os amo e que não seria nada sem eles. Gu, Duda e Dudu, amo vocês mais do que a vida!!

Em 2011, aprendi que eu posso estar perto mesmo estando longe e que é preciso fazer um grande esforço para que isso aconteça.

Em 2011, aprendi a ver sempre o lado positivo das coisas.

Em 2011, eu vivi! Vivi intensamente!

Obs:  ficou meio Roberto Carlos, não?

27 de dezembro de 2011

Eu sei o que vocês fizeram no Natal passado...

Foi o nosso primeiro Natal longe de casa, da família, das tradições, das comidinhas feitas pelo meu pai e pela sogra, dos abraços, dos presentes. Mas, foi o primeiro Natal passado só nós 4, o primeiro em que fizemos uma ceia, o primeiro em que falamos via skype com a família e amigos! E o primeiro, a gente nunca esquece!  

Os amigos que moram por aqui foram para o Brasil. A família ficou pelo Brasil. Como estávamos longe do Brasil, resolvemos sair de Milão. Ia ser meio deprimente só os 4 em casa...E adivinha para onde fomos? Gardaland! Vocês podem estar pensando: mas esse povo não sai desse parque e...é verdade! Mas, com crianças acabamos sempre procurando um programa para eles e o Gardaland Resort oferecia cama, comida e roupa lavada, ops, na verdade, era ceia, show, parque, Papai Noel, duende e Prezzemolo! Dá pra resistir? Claro que não.

Na sexta-feira, fizemos uma ceia em casa, abrimos os presentes e falamos com a família. Fiz um tender (receita do meu pai) que ficou uma delícia, farofa, salpicão sem frango defumado -  não encontrei por aqui -e picanha (super tradicional no Natal, né?).

E o meu tender viajou muito. A mãe da minha amiga/vizinha veio do Rio Grande do Sul este mês e eu havia comentado que Natal tem sabor de tender e, como não tinha na Itália, sentiria muita falta. Minha amiga não pensou duas vezes, pegou o telefone, ligou para a mãe e pediu para ela trazer um.Na mala!! Juro que fiquei mega preocupada dela ser parada pelos cachorros no aeroporto, mas deu tudo certo!





Obrigada, Cris!! Foi um presente inesquecível!

No sábado cedo fomos para o Gardaland Resort. Um hotel super bacana. Beeeem infantil. Quando paramos o carro, antes de entrar no hotel, Dudu disse:

- UAU! Mãe, podemos voltar aqui um outro dia?



Ele já queria voltar sem nem mesmo ter entrado! Ri bem alto! Eu achava que o hotel estaria vazio, mas me enganei. Várias famílias, todas com crianças, tiveram a mesma ideia. Duda e Dudu não tiveram dificuldade alguma de fazer amigos e brincaram muito!

Depois de fazer o check in, fomos para o parque que estava todo enfeitado para o Natal e vazio! "Aha, uhu, o parquinho é nosso!!" Duas partes do parque estavam fechadas (todos os brinquedos com água também), mas o resto funcionava normalmente. Os shows foram todos adaptados para a época e colocaram uma pista de patinação no gelo que fez o maior sucesso com os pequenos.








Na saída, uma árvore gigantesca foi acessa e teve um show com direito a fogueira, anjos, Babo Natale, Prezzemolo. Todos cantando kumbaya...quer dizer, músicas natalinas! Difícil não entrar no clima.

Fomos e voltamos para o parque com o ônibus disponibilizado pelo hotel. Saem ônibus durante todo o dia, de 30 em 30 minutos. Ótimo esse serviço. Se quiser ir de carro também é tranquilo. O parque tem um estacionamento enorme e cobra 5 euros/dia.

Hotel, banho e fomos jantar. Sistema de buffet, com o Noel circulando. Mais tarde, pintura de rosto para as crianças e dança baby com as 'duendas'. Animadíssimo. Depois, teve um show/festa, mas Duda e Dudu entregaram os pontos fomos para o quarto.





Duda dançou waka, waka alucinadamente!
Acordamos cedo no dia seguinte, pois era o dia mais esperado pela Duda e Dudu. O dia de receber o presente do Papai Noel! O esquema foi o seguinte: o hotel nos informou que o bom velhinho entregaria os presentes comprados pelos pais (lógico!) das 07:30 às 11:00. Quando fizemos o check in, Guto ficou distraindo as crianças e eu entreguei para o pessoal da equipe do Noel os presentes. Recebi 2 tickets que deveriam ser entregues a um duende, na entrada da sala, que avisaria o Noel da chegada das crianças. Sério?! Uma logística dessa na Itália?! Vai dar errado pensamos!! Mas não, deu certo! E muito!

Chegamos e tinham 49.852 crianças na sala. Entregamos nossos tickets para a duenda, ela falou alguma coisa para um duende e o Noel chamou: "Marcello e Maria! Venham aqui!" Gente, Marcello pulava igual pipoca! Duda, mais tímida, ria nervosamente. O nome estava certo, entregaram os presentes certos, o Noel era super legal e o duende também! Presentes, fotos, beijos e ficamos na mesma sala para abrir os presentes. Muito legal.








Era criança para todo lado. Tinha a turma dos eletrônicos, uma fileira de vários meninos jogando Nintendo DS. A turma das bonecas, a turma da bola, a turma dos muitos presentes, a turma que queria o presente dos outros. E tinha uma equipe de ajudantes na sala. Quando precisamos de uma tesoura, elas trouxeram. Quando precisamos de chave de fenda, elas trouxeram. E recolhiam os papéis e caixas. Coisa de primeiro mundo! Passamos umas duas horas brincando. Até o Prezzemolo apareceu!

Depois, teve um show de mágica e mais pintura de rosto. E, após o almoço, todos os hóspedes foram convidados para ir ao Gardaland. O parque estava fechado neste dia, mas iria abrir as portas do teatro para os hóspedes para um show especial de Natal. 


Esperando o show

Adora sentar na primeira fila!
Um rapaz cantou algumas músicas de Natal (confesso que foi uma overdose de I wish you a Merry Christmas e All I Want for Christmas is you!) e depois teve um show lindo com areia. Fica um rapaz numa tela iluminada fazendo desenhos com os grãos de areia. Uma coisa fantástica. Como era Natal, ele contou a história de Jesus. Foi emocionante! As crianças perguntavam tudo. Senti falta do meu pai que é um estudioso da vida de Cristo e saberia explicar tudo a eles. Eu falei o que sabia (o básico!) e descobri que sei muito pouco....




Quem tiver interesse, vá ao site http://www.sabbiamagica.it/. Tem informações sobre o show e o artista, Paolo Carta.

Voltamos ao hotel, teve cinema para as crianças e happy hour para os pais e, logo depois, saímos para jantar em Peschiera, uma cidadezinha linda nos arredores do Lago de Garda.

E foi assim nosso Natal....Gostaram? E o de vocês? Como foi?

23 de dezembro de 2011

Papai Noel existe?



Recebi uma mensagem de um amigo e gostaria de compartilhar com vocês. É sobre a carta que uma garotinha de 8 anos, Virgínia O’Hanlon Douglas, filha de um médico de Nova York, escreveu para o jornal The Sun perguntando se Papai Noel existia. O jornal publicou sua carta e a resposta do editorialista Francis Church, foi um sucesso tão grande que o The Sun reproduziu-as durante os anos seguintes, na época do Natal, até o seu último número em 1949. O fato se tornou tão famoso na imprensa mundial, virou livro com recorde de venda nos Estados Unidos. Eu me lembro de ter assistido, quando era beeem novinha, ao filme Sim Virgínia, Papai Noel existe. E eu chorei, chorei muito, porque a mensagem é linda. E também porque sim, eu acredito em Papai Noel!
 

 
Prezado Editor : Tenho 8 anos e alguns dos meus amiguinhos dizem que não existe Papai Noel. Meu pai costuma falar: “Se estiver no The Sun, então será verdade.” Por favor, me diga a verdade, Papai Noel existe?

Virgínia O’Hanlon
Virgínia, seus amiguinhos estão errados.

Provavelmente foram afetados pela descrença de uma época em que as pessoas acreditam em poucas coisas. Só acreditam naquilo que vêem. Eles acham que o que não compreendem com suas cabecinhas não pode existir.

Todas as mentes, Virgínia, sejam dos adultos ou as das crianças, são limitadas.

Nesse nosso grande universo, o homem é um mero inseto, uma formiguinha, quando seu intelecto é comparado com o infinito que o cerca ou quando medido pela inteligência capaz de entender toda a verdade e conhecimento.

Sim, Virgínia, Papai Noel existe.

Isso é tão certo quanto a existência do amor, da generosidade e da devoção, e você sabe que tudo isso existe em abundância trazendo mais beleza e alegria à nossa vida.

Ah! como seria triste o mundo sem Papai Noel!

Seria tão triste quanto não existir Virgínias. Não haveria então a fé das crianças, a poesia e a fantasia para fazer a nossa existência suportável.

Não teríamos alegria nem prazer a não ser com os nossos sentidos: seria preciso ver e tocar para poder sonhar. A transparente luz das crianças, com a qual inundam o mundo, seria apagada. Não acreditar em Papai Noel!… É o mesmo que não acreditar em fadas!

Você poderá pedir ao seu pai para contratar muitos homens para vigiar todas as chaminés na véspera de Natal e assim pegar Papai Noel; mas, mesmo que você não o visse descendo por elas, o que isso provaria?

Ninguém vê Papai Noel, mas não há sinais de que ele não existe. Você por acaso já viu fadas dançando no jardim? Claro que não, mas não há provas de que elas não estejam por lá. Ninguém pode conceber ou imaginar todas as maravilhas do mundo que nunca foram vistas e que nunca poderão ser admiradas. As coisas mais reais do mundo são aquelas que nem as crianças nem os adultos podem ver. Se quebrarmos o chocalho de um bebezinho, poderemos ver o que faz aquele barulho lá dentro, mas existe um véu cobrindo o mundo invisível, que nem o homem mais forte, nem mesmo toda a força de todos os homens mais fortes do mundo reunida poderia rasgar.

Somente a fé, a poesia, o amor e a fantasia podem abrir essa cortina e desvendar a beleza e a glória celestiais que existem por trás dela. Será que tudo isso é real? Ah, Virgínia, em todo este mundo não existe nada mais real e duradouro. Se Papai Noel existe? Graças a Deus ele vive e viverá para sempre.

Daqui a mil anos, Virgínia, e ainda daqui a dez mil anos ou dez vezes esse número ele continuará a fazer feliz o coração das crianças.