19 de fevereiro de 2015

Bruxelas

Ô terra boa de vento! Nossa! Como venta! E era um vento frrrriiio...que doía!  Mas, como tínhamos apenas dois dias por lá, não seríamos derrubados por um ventinho!

Chegamos na estação de trem e fomos direto para o hotel Novotel Brussels Centre Tour Noire. Bem no centro e de fácil acesso a várias atrações turísticas da cidade. Deixamos as malas e rua!

Nossa primeira parada foi a Grand Place, a praça central de Bruxellas. É, sem dúvida, uma das praças mais lindas da Europa. Ali, você encontra a Maison du Roi (a residência do Rei), a prefeitura (Hotel de Ville), e as Guildhalls (casa das corporações, são várias casinhas estreitas, pontudas e charmosas). Como era quase inverno, não vimos o famoso tapete de flores que é colocado bem ao centro da praça a cada dois anos, no mês de agosto. Motivo pra voltar!
 

 

A praça é linda demais e tem um posto turístico onde é possível pegar mapas para facilitar o deslocamento na cidade.

Basta seguir pelas ruas ligadas à praça que você irá encontrar várias atrações. Aliás, fizemos praticamente tudo a pé. Só para ir à Mini Europa e Atomium que é preciso pegar o metrô. Nosso primeiro objetivo era achar o Manekken Pis. É uma fonte pequena (1 metro de altura!), em bronze, de um menininho fazendo xixi. Por incrível que pareça, trata-se de um dos símbolos da cidade. O menininho troca de roupa sempre e suas roupitchas podem ser vistas no Musée de La Ville, lá na Grand Place. Ouvi falar que existe a Jeanneke Pis, a irmão do Manekken, que fica agachada fazendo xixi. Parece que um grupo feminista exigiu  igualdade de gênero nos monumentos da cidade. Acho válido!
 
 

Ali do lado do menininho existem várias lojas de chocolates e waffles! Eu comi um waffle de nutella nesse dia e estava divino!  
 

 

No caminho para a fonte, ainda encontramos uma estátua de um homem deitado, Everard´t Serclaes. A estátua fica pendurada em uma parede e dizem que dá sorte passar a mão nela. Por via das dúvidas, todos nós passamos!
 
 

Na volta para a Grand Place, paramos no Hard Rock Café, mais para nos aquecer do que por curiosidade. Ai, que quentinho lá dentro. Aproveitamos para tomar uma cerveja e levar as crianças ao banheiro. Saímos de lá e fomos para o lado contrário, em direção à Catedral de Bruxelas (Saint Michel et Gudule). Igreja gótica linda! Por dentro e por fora!
 
 

Seguimos até o Palácio Real e, no caminho, entramos no Parc de Bruxelles Warandee que fica bem em frente ao palácio. Gracinha de parque. Super arborizado.
 
 

Na volta para a Grand Place, passamos por um lugar fechado, cheio de lojinhas. Uma gracinha, mas não faço ideia do nome. Passamos também por uma rua repleta de restaurantes e bares, mas queríamos mesmo era ver a Grand Place iluminada e seguimos direto para lá. Valeu a pena! Linda demais!
 

 

Fomos para o hotel tomar um banho e resolvemos jantar por lá mesmo. Que delícia de comida! Super recomendo!

No dia seguinte, acordamos cedo para irmos para a Mini Europa. Criancinhas estavam enlouquecidas para conhecer. Pegamos o metrô bem perto do hotel e fomos. E é longe. Muito. Depois de uns 20 minutos e já totalmente fora da cidade, chegamos à estação indicada pela moça da recepção do hotel (ela ferrou com a gente! Hahahaha). Descemos. Nada. Não tinha nada ao redor. Somente umas casinhas. Marido foi na frente, eu e crianças atrás, tentando achar uma alma para nos indicar o caminho. Nada. Depois de andar muito, achamos uma placa que indicava a Mini Europa do outro lado da rodovia!! A moça gente boa da recepção, além de indicar a estação errada, indicou a direção errada do trem. Passamos quase meia hora caminhando até acharmos. E tinha uma estação bem na frente!!!

Neste complexo, tem o Atomium  e a Mini Europa.

O Atomium, criado em 1958 para a Feira Mundial de Bruxelas, é uma estrutura metálica que representa uma molécula de ferro ampliada 165.000 milhões de vezes. Vale a pena dar uma passadinha pelo local para, pelo menos, ver a atração do lado de fora. Foi isso o que fizemos! É claro que quem quiser pode visitar a molécula gigante por dentro e passear pelas esferas. Deve  ter uma bela vista panorâmica de Bruxelas do alto do monumento.



Na Mini Europa encontram-se réplicas em miniatura de edificações famosas da Europa, reproduzidas perfeitamente, em escala 1:25. O local é aberto e bem menor do que eu esperava. Como tem a superfície irregular, algumas miniaturas ficam em locais mais altos que outras. Existe um caminho para seguirmos, garantindo que passemos por tudo, sem deixar nada para trás, muito prático. E, além disso, é possível ver e admirar o Atomium de dentro do parque! Gostamos bastante, mas achei bem vazio e com um ar de  abandonado. Não que não tenha valido a pena, valeu demais! Meus pequenos amaram tudo, mas parecia que já tinha sido melhor no passado, sabe? A lanchonete estava às moscas e a comida era bem estranha...não indico comer por ali, não. Depois de rodarmos tudo, voltamos para o hotel. Havia prometido às crianças que iríamos aproveitar a piscina quentinha, que de quentinha tinha muito pouco, mas as crianças aproveitaram. Repetimos o jantar no hotel e cama.
 



 

Dia seguinte, tínhamos somente algumas horas antes de irmos para o aeroporto pegar nosso voo para Berlim. Demos uma volta rápida pelo centro novamente e entramos num restaurante japonês, ao lado do hotel, para almoçar. Como as crianças já haviam comido um sanduíche, explicamos para a garçonete que só comeríamos eu e marido. Pra que?! A mulher não conseguia entender...como assim? Vão sentar 4 e só vão comer 2? Ela chamou um garçon que também não entendeu e os dois chamaram o dono. Explicamos que as crianças já tinham comido e que seríamos só eu e marido. Ele disse que tudo bem, mas que se as crianças provassem qualquer coisa, e ele iria ficar de olho!, pagariam! Eu não sei porque aceitamos aquilo e ficamos. Depois, fiquei pensando no absurdo do que o cara disse para nós!! Se alguém for por aquelas bandas e passar num restaurante japonês, ao lado do Novotel Brussels Centre Tour Noire, NÃO ENTRE!!!!

Saímos de lá, pegamos as malas no hotel e seguimos para o aeroporto.

 

16 de fevereiro de 2015

Um lugar que eu indicaria pra você viajar? Fácil: Bruges

Pense num lugar lindo! Agora, multiplique! É Bruges!
 
Marido já conhecia, mas disse que aproveitou muito mais dessa vez. Eu fiquei maravilhada com a beleza da cidade. Arrumadinha, limpa, cheia de gente educada. As crianças adoraram.
Fomos de trem. Para o trajeto Paris/Bruxelas/Bruges, o trem é a melhor opção. O trem era de alta velocidade da Thalys e em uma hora e meia, mais ou menos, chegamos em Bruxelas. Em seguida, já incluído no preço do bilhete, fizemos o trajeto Bruxelas/Bruges, que dura mais uma hora em um trem velocidade tradicional.
 
Como estávamos meio cansados das noites sem dormir e com malas e com criancinhas, resolvemos pegar um taxi até o hotel. Que mico! O taxi custou 7 euros. Saiu da estação, deu uma volta circular até entrar na cidade, entrou numa rua que ia em direção à estação de trem e parou. Sim. Era só atravessar um micro parque a pé que chegaríamos no hotel. Mas...valeu o passeio de carro pela cidade.
O hotel era uma graça (Hotel Academie). Não fica no centrão, mas é tudo tão perto...e é numa rua grudada ao parque (e perto da estação! ooohhhh!) e cheia de restaurantes. Adoramos!
 
 
Deixamos tudo no hotel e fomos passear. Planejar pra que? O ideal é andar por Bruges. Vai prum lado, vai pra outro. Volta. Fácil e agradável. Nos indicaram 2 passeios: um de barco pelos canais (dizem que é a Veneza Belga) e um de pedalinhos pelo lago que tem no parque ao lado do hotel. Ambos não estavam funcionando por causa do frio...pena. Mas, fizemos tudo a pé.
 



 
Saindo do hotel à direita e dobrando na primeira rua à esquerda já encontramos lanchonetes, lojas de chocolates (tem aos quilos por lá! Aliás, chocolate e sex shop é o que mais tem. Tem também os temas unidos: pênis de chocolate, seios de chocolate etc...para todos os gostos e fetiches), restaurantes. Uma igreja linda e um museu. No fim da rua, vira à direita e WOW! O canal. E vai seguindo, seguindo... No primeiro dia, passeamos pelas ruas até chegar à praça principal onde tem a Torre da Praça do Mercado. Esta torre simboliza o poder e o desejo de liberdade dos habitantes da cidade na era medieval. São 83 metros de altura e, lá do alto. é possível ter uma visão panorâmica da cidade. Apenas 366 degraus e voi la.
 
A história desta região é riquíssima e muito conturbada. Foram séculos de dominações de outros povos, guerras, tratados, revoltas, movimentos nacionalistas, revoluções, conflitos religiosos, culturais e linguísticos até o surgimento da Bélgica. E Bruges sempre esteve ali, no centro de tudo. Com séculos de história e arquitetura medieval em grande parte preservada, os pontos turísticos e históricos de Bruges são muitos.
 

 
 
Na primeira noite, jantamos em um restaurante nessa praça que era maravilhoso. Infelizmente, esqueci o nome... é do lado oposto da torre, fica na esquina e tem uma lareira. Aliás, combinação perfeita: cerveja belga, lareira e carne!
 
No dia seguinte, me acabei num waffle de chocolate maravilhoso do lado do hotel (ninguém pode ir à Bélgica e não provar os waflles...são perfeitos! E tenho quase certeza e que são lights!) e saímos para nosso passeio. Rodamos a cidade toda (Praça Burg, Igreja de Nossa Senhora, etc.). E, a tarde, as crianças pediram para vermos uma exposição de Chagal que estava num museu ao lado do hotel. Como eles haviam estudado o artista na escola, foi bacana ver suas obras!
 
 




Muito Bahia, né não?



Jardim do Museu Groeninge
 
Jantamos ao lado do hotel numa "churrascaria" belga! Delícia!
 


 
Acabamos o jantar e fomos para o hotel arrumar as malas, pois no dia seguinte iríamos para Bruxelas!
 
 


A Última Viagem

Que título estranho, né? Vamos esclarecer: é a última viagem di nostra vitta italiana. Pois é, acabou. Empacotamos a vida e a colocamos num container. O que não coube, foi colocado em 4 malas grandes, 8 médias e 4 pequenas. Mas, ao invés de virmos direto para o Brasil, resolvemos fazer um passeio de despedida. Destino? Vários! Começamos por Paris, pois em 3 anos na Europa, não havíamos ido (eu e marido já conhecíamos e deixávamos sempre pra depois) e Duda queria muito ver a Torre Eiffel. De lá, seguimos para Brugge, na Bélgica. As próximas paradas foram Bruxelas e  Berlim (minha nova paixão na Terra!). A última cidade foi Budapeste, um encanto de lugar.


E então, vamos viajar?

PARIS, baby

Ah! Paris! Cidade Luz, romântica e blá blá blá. Eu sei, eu sei, ela é tudo isso e muito mais, mas, as coisas não saíram como planejado no País do croissant...explico: planejamos 4 dias em Paris. Reservamos um hotel perto da Torre para facilitar o deslocamento e optamos por um apart hotel que tinha quarto, sala e cozinha completa. Tudo certo. Chegamos, deixamos nossas coisas no hotel e fomos passear. Andar e se perder pelas ruas de Paris é um programa maravilhoso. Andamos na região do hotel que era super bem localizado e tinha tudo por perto: supermercado, restaurante, padaria etc.. Depois, resolvemos ir até a torre de Montparnasse. Parecia perto, mas...andamos, andamos, andamos e nada da tal torre chegar. E começou a escurecer e começou a esfriar. Vamos para pra tomar um café? Vamos! Vamos andar e tentar chegar na torre? Vamos! E andamos, andamos, andamos e nada. Começou a chover. Entramos novamente em um café. Dessa vez, ficamos por lá mesmo. Chega de andar e não chegar a lugar algum. Tomamos um vinho, as crianças comeram e resolvemos voltar para o hotel. No dia seguinte, iríamos cedinho à Torre. Porém, de madrugada, Marcello acordou passando mal. Vomitando e com uma febrinha. Tadinho. Ficou muito molinho. Como ele passou mal na cama, marido foi até a recepção às 2 da manhã tentar pegar um lençol novo. Nada. Aliás, tudo muito difícil nesse hotel. De manhã, Marcello não tinha condições de sair. Tudo bem. Ainda tínhamos 3 dias e ainda poderíamos fazer toda a programação previamente planejada. Fui ao Carrefour e comprei frango, arroz, batatas. Fiz um almoço no quarto e até que ele se alimentou bem. De tarde, já estava melhor, mas achamos melhor ele descansar. No dia seguinte, ele acordou super bem! Eba! Paris, aí vamos nós!


 

Fomos para a tão aguardada Torre Eiffel. Chegamos antes das 9 da manhã e já tinha uma fila pequena (tentei reservar o ingresso pela internet por vários dias e não consegui). Ficamos ali até abrir a bilheteria. O frio era muito grande, pois era um vento encanado embaixo daquela torre que só Deus na causa! Além do vento, tinham umas pessoas estranhas querendo fazer entrevistas com os turistas. Dica pra quem vai pra lá: Não façam! Eles vêm com as pranchetas e enquanto você responde às perguntas, eles pegam sua carteira. Vimos um cara fazendo isso na nossa frente. Sorte que o turista percebeu. Tá cheio de placas avisando sobre os pick pockets naquela região.

Subimos direto para o topo. É uma área fechada, arredondada em que tem várias informações como a distância de Paris para diversas cidades do mundo. Além disso, tem os monumentos da cidade que podem ser vistos lá de cima. Tem um restaurante panorâmico nesta parte que é preciso fazer reserva antecipada para entrar e deixar um rim para sair. E, quem quiser passar frio, pode ir lá fora. Nós fomos, passamos frio e entramos. Muuuito frio. Aí, pegamos o elevador e descemos para a parte média da Torre (acho que segundo andar). Passeamos muito por ali. Tem um bar, lojinha, banheiros. Tudo lotado.


 
Depois de quase 2 horas lá em cima, resolvemos descer. A fila? Gigantesca! Marido e Duda resolveram ir de escadas, mas quando chegaram lá embaixo, ele viu que os tickets do elevador estavam no bolso dele! Resultado: Subiu tudo de novo e com a Duda no colo. O pulmão ficou em algum lugar entre o 245º e o 325º degrau. Descemos os 4 de elevador e não, não precisa do ticket para descer.

Saímos da torre e fomos ao Trocadero para tirar mais fotos. Dizem por aí, que é do Trocadero que se tiram as melhores fotos da torre. Nós adoramos, mas prepare-se, tem muuuito vendedor ambulante. Parece praia do nordeste no verão!

 

De lá, fomos andando até a Champs Elysees. Ah! Que rua mais linda! Amo aquelas calçadas largas! Fomos direto para o Arco do Triunfo pra tirar foto com o nome do parente. Sim! Temos parentes por lá! Hahaha Minha família, por parte de mãe, é Watrin. E na parte de baixo do Arco, além do túmulo em homenagem ao soldado desconhecido, tem vários nomes gravados nas paredes. São nomes de oficiais franceses que lutaram com Napoleão, já que esse monumento foi construído para enaltecer as suas vitórias.
 
Saímos de lá e fomos passar a tarde no Louvre. Um fato: é impossível, com duas crianças, em uma tarde, ver pelo menos 1/10 do museu. Mas, vale a experiência. O Louvre é, simplesmente, grandioso!  Focamos nas partes do Egito (sabíamos que as crianças iriam gostar), a La Gioconda ou, para os íntimos, Mona Lisa, Vênus de Milo (você sabia que ela tem autor desconhecido? Eu não! Aprendi lá!) e outros quadros mais famosos. Só. Foram quase 3 horas. As crianças adoraram! Mas, cansaram. Muito. É muito cheio e se anda muito por lá. E Marcello estava se recuperando da virose...
 










Saímos, tiramos as fotos mega tradicionais na pirâmide e seguimos pelo jardim que tem bem na frente do museu. No final do jardim tinha uma roda gigante e algumas barraquinhas vendendo crepes e gluvine. Eu e Duda devoramos um crepe de chocolate. Delícia! Seguindo em direção à Champs Elysees, encontramos uma feira de Natal enorme. Lindinha demais! Cheinha de barraquinhas com restaurantes, lojinhas, até pista de patinação tinha. As crianças queriam patinar, mas estava muito frio e achamos melhor voltarmos no outro dia, pois Marcello ainda estava em recuperação. Passamos no supermercado e voltamos para o hotel. Fiz uma pasta pra Duda e Marcello repetiu o arroz, frango e purê. Cama!
De madrugada, a surpresa: Duda vomitando! Muito! Ai meus Sais. Tudo de novo. Tira lençol, implora para o homem da recepção trocar, limpa chão, limpa criança, dá Gatorade, lava pijama. Sem fim. Depois que Dudinha dormiu, resolvemos não sair pela manhã.
Acordamos e ficamos vendo TV... em Paris...ninguém merece! Eu ia até a janela e dava adeus pra cidade. À tarde, a Duda começou a melhorar e cogitamos ir até a feirinha de Natal. Pra quê? EU comecei a passar mal! O vírus foi pulando pela família toda! Só quem não pegou foi o marido. Ficou lá, firme e forte, cozinhando pra todo mundo!
No dia seguinte, acordei melhor, mas já era hora de partir...arrumamos a mala e fomos pra estação pegar o trem pra Brugge. Notre Dame? Não vimos. Sacre Couer? Nem passamos perto...e tantos outros lugares que planejamos ir...mas é a vida e Paris tá lá pra voltarmos um dia!  O bom é que o vírus era parisiense e se recusou a ir pra Bélgica conosco. Ficamos todos bem.
No próximo post, Brugge.
 

 

17 de janeiro de 2014

Desapego potência máxima



Eu desapareci, eu sei. Não dei explicações, nada. Mas, não tá fácil escrever este post, não. Já pensei mais de mil maneiras de escrevê-lo, mas nenhuma me agrada. A verdade? O bloguinho acabou...Pois é...è finito. 

O objetivo do È così era contar, pra família, amigos distantes e amigos que fiz durante esses quase 3 anos, o que estávamos vivendo na Itália, mas...o sonho acabou e já estamos em terras tupiniquins novamente e, desta vez, pra sempre! Eu sei, eu sei que não devemos dizer “nunca” e “sempre”, pois o futuro  a Deus pertence, mas o fato é que voltamos pra ficar! E aí, o blog perdeu o sentido, sabe?!

A mudança? Não foi fácil. Principalmente a parte emocional de todo o processo. A parte da ralação foi algo assombroso também. Foi tanto documento, tanta mala e tanta caixa que deu  medo algumas vezes. Mas, conseguimos e eu conto depois.

Ao mesmo tempo em que fiquei feliz de voltar, fiquei triste ao partir. Dual assim. No melhor estilo “tudo, ao mesmo tempo, agora”. Voltar para perto dos amigos, familiares, voltar a trabalhar, voltar pra terra da gente, não tem preço. Mas, é impossível não sofrer com as perdas e distanciamento natural dos amigos que lá ficaram, da casa, dos passeios que a Itália nos proporcionou. Deixa eu ver se consigo me explicar melhor:

Quando soube que mudaria pra Itália, era evidente que sentiria falta de tudo e todos por aqui, mas tínhamos prazo de validade na terra da pasta. Sabia que teria contato quase diário com a família e veria os amigos quando viéssemos de férias para o Brasil ou quando eles fossem nos visitar em Milão (o que aconteceu muuuito! Ainda bem!). Só que a volta é diferente. Eu não vou voltar tão cedo à Itália, talvez nem volte a Milão. E as pessoas que ficaram por lá? Talvez nunca mais as veja...e isso é real. E vou dizer uma coisa: sofri muito por isso! Justo eu, que me julgava a rainha do desapego, me vi aos prantos no pátio da escola dos meus filhos, no último dia de aula deles, abraçada a uma mãe que nem era tão minha amiga assim. Chorava copiosamente agarrada a uma camiseta com a foto de todos os amiguinhos dos meus filhos (presente que organizaram para as crianças! Lindo, diga-se de passagem). A mãe que me consolava dizia: “Calma. A gente ainda vai se ver um dia”, mas a verdade é que a chance de tornar a vê-la é minúscula, pra não dizer inexistente...só pra ter uma ideia, faz um mês e meio que voltamos e não tive nenhum contato com ela. Nada. Nem e-mail, nem whatsapp, nem sinal de fumaça. Cada uma cuidando da própria vida.

É claro que ainda troco mensagens com algumas pessoas.Tem as amigas brasileiras que enchem minha caixa de mensagens, comentários em fotos do facebook, dizendo que estão com saudades. Tem as amigas italianas que mandam notícias também. Rola um telefonema aqui e outro ali. Só. E a pergunta que não quer calar: até quando isso vai durar? Num bom italiano: Bo!
Deu pra entender agora? A ida para a Itália significava um até breve pra tudo que deixávamos no Brasil. A volta para o Brasil significou um adeus a tudo que vivemos na Itália.

Tá, tá bom, isso aqui tá quase virando um dramalhão mexicano, mas é como sinto. Sei que existem as lembranças, as fotos, as experiências...a Itália tá impregnada em mim e não vai sair, mas sinto falta. Já sinto falta das estações definidas, das possibilidades de viagens, da segurança da cidade, do transporte disponível para todos, do idioma cantado, das comidas maravilhosas, dos vinhos nacionais, de ter tempo para meus filhos. Estou tão saudosa que até dos vizinhos encrenqueiros e da minha micro vaga de garagem sinto falta! Era divertido.

Mas, agora é bola pra frente. As crianças já estão matriculadas na nova escola, eu já voltei ao trabalho, nossa casinha está quase pronta (resolvi destruir as paredes e pisos! Coisa de doido!)), marido tá menos estressado, a família tá feliz. Eu também. Saudade? Faz parte da vida e vou ter que lidar com ela. Perspectivas? As melhores possíveis!

A vocês que me acompanharam por aqui, meu muito obrigada pela paciência e companhia! Vou ainda colocar alguns posts da última viagem que fizemos (maravilhosa por sinal!) e contar da mudança, pois este blog é também um diário para os meus filhotes. Quero que eles tenham a possibilidade de ler o início, o meio e o final di nostra piccola vitta italiana. Depois? Não sei...quem sabe um blog sobre como tá difícil a vida no Brasil? Gargalhei.

1 de novembro de 2013

Velho do sinal reencarnado

Há muitos anos tinha um senhorzinho que pedia esmola no sinal perto da minha casa. Todo dia, quando eu ia pra faculdade, lá estava ele. Uma barba imensa branca/amarelada e um cabelão comprido também branco. Engana-se quem acha que esse senhor era simpatiquinho e bonzinho. Ele era um terror. Ficava batendo em todas as janelas com os ossos dos dedos (faz um barulho muito alto!), balançava as mãos agitadamente pedindo dinheiro e, quem não dava nada a ele, ele xingava, gritando muito. Cena linda de se ver.... Eu sei, eu sei que a vida dele não era fácil, muito pelo contrário, devia ser cheia de limitações, falta de perspectiva, fome etc...

Por causa disso, eu decidi que, mesmo com esse comportamento agressivo, eu iria gostar do velho do sinal. Afinal, teríamos uma relação diária por anos...

Sempre arrumava uma moedinha pra ele. Ele pegava, olhava e saia reclamando....sempre! Teve um dia que, distraidamente, eu estava mudando o rádio e ele bateu tão forte na janela que me assustei de verdade. Vendo isso, você acha que ele sorriu ou coisa do gênero? Claro que não, saiu bufando e me xingando! Neste dia, nossa relação começou a mudar e comecei a ficar incomodada com o velho do sinal.

Resolvi que, no dia seguinte, ia mudar meu caminho. Fiz um mais distante que evitaria que eu encontrasse o tal senhor. Quando cheguei na outra quadra, quem estava no outro sinal? Maestro Zezinho, uma nota! O velho do sinal!!!!!! Mudou o ponto? Tem mais de um? São gêmeos?  Como assim? Levei minha cutucada diária na janela, dei uma moeda, ele me xingou. Aí, desisti dele. Resolvi que não daria mais moedas, pois independente do que eu fizesse, ele iria reclamar....

No dia seguinte, fui pelo caminho antigo. Lá estava ele, mudou de ponto de novo. Sério, comecei a achar que era pessoal. Quando ele cutucou a janela, já fiquei nervosa. Aquela mãozinha balançando...aí, meus sais. Me enchi de coragem e disse: Desculpe, hoje não tenho nada. Pense num velhinho irado! Saiu xingando, resmungando, abanando as mãos....

Depois desse dia, não o vi mais. Marido disse que eu havia matado o velho do sinal...passei anos me sentindo culpada até que um dia o encontrei num sinal beeeem distante! Liguei direto pro marido! "Não matei ele não!!! Tá vivinho da silva cutucando outras janelas!". E...nunca mais o vi.

Pois bem, estamos em Milão há quase 3 anos, a escola dos meus filhos mudou recentemente de lugar e tive que mudar meu caminho. Deixo as crianças na escola e, pra voltar pra casa, passo por uma ponte que no final tem um sinal. Estou eu tranquilamente checando as mensagens do celular quando escuto aquele barulho na janela do meu carro: toc, toc, toc! Na mesma hora pensei: "velho do sinal, é você? Em Milão?". Quando olhei, tinha um rapaz me oferecendo jornal. Agradeci, disse que não. Então, ele começou a balançar a mão nervosa pedindo moeda, igual ao velho do sinal! Eu estava sem nenhuma e disse que o ajudaria outro dia...fiquei acompanhando pelo espelho e, pra todos os outros carros, ele só ofereceu o jornal. Cheguei à conclusão que era o velho do sinal reencarnado e que, sim, é pessoal!!!!!