11 de maio de 2013

Costa Amalfitana - Dia 2

Acordamos cedinho, pegamos a estrada bella e maledetta e fomos para Pompéia. Quando nos aproximamos de Nápoles, já era possível ver o Vesúvio, o vulcão que destruiu Pompéia em 79 d.C.




Chegando em Pompéia, basta seguir as placas das ruínas que se chega em alguma das 2 portas de entrada do sítio arqueológico. Super fácil. Nós entramos pela Piazza Anfiteatro. Eu li algumas coisas sobre a cidade e fui contando para as crianças. É incrível como eles se interessam por história! 

Compramos os ingressos lá mesmo (11 euros por pessoa, crianças não pagam). Na bilheteria é possível alugar áudio guias para facilitar o entendimento daquilo que se está vendo. Como tínhamos apenas umas 2 horinhas para rodar por lá, não pegamos o áudio. Aí, logo na entrada, ficam alguns guias oferecendo seus serviços. Também não pegamos um guia. Os bonitinhos aqui acharam que com o mapinha que ganhamos e minha leitura prévia seria fácil, fácil identificar as coisas por lá. Ledo engano. Pompéia era uma cidade. Aliás, é uma cidade. E é grande como uma cidade. Sentiu o drama? 

Eu havia lido que, no ano de 79, o vulcão acordou de forma muito violenta, jogando pedras pomes pelos ares e gases venenosos. Aliás, foram esses gases que mataram as pessoas e não a lava. A lava matou a galera que morava em Herculano, cidadezinha pertinho de Pompéia. As pessoas também morreram com as pedras voadoras que destruiram os telhados das casas, lugar para onde a maioria correu quando começou o "inferno na terra". Foi tanta cinza por ali (3 dias de escuridão) que a cidade ficou 1.600 anos encoberta em 10 metros de cinzas. Esse é um dos motivos do excelente estado de conservação das coisas por lá. Ela só foi descoberta porque um cara quis construir um canal para mudar a direção do rio e, quando começou a cavar....surpresa!

Nós começamos a visita pelo anfiteatro. Impressionante! Como aquele negócio enorme pôde ter ficado encoberto por tantos séculos?





Quando saímos do anfiteatro, encontramos um cidadão se oferecendo como guia. Pediu 20 euros. Dissemos não, pois não havíamos muito tempo e continuamos. Aí, o negócio começou a complicar! Tem rua pra direita, pra esquerda, pra frente, pra trás. Vai pra onde, amigo? E começamos a tentar ler o mapa. E rodamos e saímos no anfiteatro de novo. O guia, vendo a cena, se aproximou e começou: vocês já viram os corpos encontrados nas escavações? Não... Vocês já foram no cemitério? Tem uma vista incrível do vesúvio lá! Não...Vocês viram as sinalizações dos bordéis? Não...Vocês querem me dar uma propina e eu mostro algumas coisinhas pra vocês? Sim! Só que aí, eu vacilei. O malandrão começou a falar que sem um guia era impossível ver as coisas principais. Eu expliquei que havíamos pouco tempo e ele soltou essa: "mas eu posso mostrar as principais coisas por 20 euros e em meia hora!" A manézona aqui: "claro!!" De uma propina, acabei fechando meia hora por 20 euros que, aliás, era o preço de um passeio COMPLETO! Seguiu o raciocínio? Preciso desenhar? Fui engabelada pelo guia de Pompéia! Marido queria me trucidar quando tirou 10 euros da carteira e eu disse que eram 20! Tolinha, eu...ai, ai.

Mas, como tudo tem seu lado bom...as explicações do guia foram ótimas. Visitamos o cemitério onde só as pessoas ricas tinham direito a uma estátua de corpo inteiro. Se fosse classe média, só o busto. Pobre? Tinha direito a uma pedra e olhe lá! Pompéia era um local de férias dos Romanos endinheirados e ali rolava uma suruba danada. Tem várias imagens de pênis espalhadas no local. Pedras no chão com o desenho, indicavam que as pessoas estavam na direção certa para um dos muitos bordéis da cidade. Segundo o guia, a mulherada trabalhava nessa área para ganhar sua independência financeira. Seria melhor se tivessem criado uma rede de esgoto para a cidade! Mas, quem sou eu pra julgar alguém?!





Bordel - Charmoso, não?

Os corpos são impressionantes. Alguns em posição de proteção, fetal.  Alguns com cara de sofrimento. Difícil de olhar. Eu não consegui nem tirar fotos. Marido tirou, mas não vou colocar por aqui, não. O guia nos mostrou até um pedaço de osso de um corpo, para provar que é de verdade. 

Com o guia aprendemos que só as famílias ricas tinham água em casa. Então, nas casas em que podemos ver fontes, banheiras e piscinas termais eram as casas da turma do dinheiro. Os pobres tinham que pegar água numa das diversas fontes espalhadas pela cidade. Aliás, essas fontes serviam também como ponto de encontro já que as ruas não tinham nome na época. Se amigos quisessem se encontrar, bastava dizer: te encontro na fonte da lua hoje a noite! Pronto. Além disso, Pompéia não tinha rede de esgoto. Era a céu aberto mesmo. Imagina o cheirinho do local?! Como os dejetos corriam pelas ruas da cidade, a galera da urbanização colocou pedras enormes para as pessoas atravessarem a rua e não sujar os pés, sapatos, vestidos etc.

Boteco da época

Casa da galeira endinheirada

Pra não pisar no cocô - Keep Walking

SPA - tinha água quente pra todo lado. Por que será? Um certo vulcão
pode ser a explicação

Fontes / Ponto de encontro

Tá rolando lá em Pompéia, o projeto Pompéia Viva. Estão aproveitando o espaço dentro de alguns monumento para replantar as parreiras da época áurea da cidade e recriar os vinhos degustados por lá. Muito bacana.




Olhas as parreiras lá embaixo!

Fomos parar numa praça gigantesca e muito legal. Cheia de monumentos. As crianças viraram estátuas da antiga Basílica. Guto e Duda foram num boteco e conhecemos umas termas chiquérrimas e muito bem conservada. É impressionante!






Estátua de igreja maneira!
Saímos de lá muito mais tarde do que imaginávamos! A ideia era ir ao Vesúvio que, segundo o google maps, ficava a 10 km de Pompéia. E fica mesmo! Se você for a pé! De carro dá uns 24 quilômetros! Estradinha muito estranha...acabamos chegando perto do pezinho dele e seguimos viagem.

Fomos para Montella, uma cidade de 7.000 habitantes. O sobrenome do marido, que eu adquiri depois de casada, é Montella. E a origem é italiana. Achei emocionante chegar na cidade. Acho que gostei mais do que o marido! Quando vimos algumas poucas pessoas na rua perguntei a ele: "você está percebendo alguma semelhança física sua com essas pessoas?". Ele me olhou com uma cara...acho que quis dizer que NÃO! hahahaha

A cidade estava vazia. Acho que quase todos os habitantes emendaram o feriado e foram pra Costa Amalfitana! Minha teoria. Será? Mas, é muito bonitinha. Tiramos foto na plaquinha da entrada da cidade, num monumento aos soldados de Montella mortos nas guerras, na praça e na igreja, claro. Não conseguimos comprar nem um souvenir. Tudo fechado. Pena. Mas, valeu a visita! E você? Tem cidade com seu nome?








E você acha que nosso dia acabou por aí? Claro que não! Voltamos para a circum. Passamos por Salerno (cidade grande!), Maiori (até descemos pra tirar uma foto na orla) e paramos em Amalfi. Gracinha de cidade. 

Olha a Circumvesiviana aí, gente!

Uma loja de cerâmicas em Salerno

Praia em Maiori - Isso é pedra, viu?

Calçadão em Maiori

"Avenida Atlântica" de Maiori
Maiori foi uma grata surpresa. Para ir a praia, não é preciso nem subir, nem descer. Muito prático. E tem um calçadão simpático também. Mas, nosso objetivo era chegar a Amalfi. E conseguimos! E fica uma dica: pra quem está na direção Salerno - Amalfi, tem, bem na entrada da cidade, um estacionamento coberto. Ele é mais barato que estacionar pelas ruas da cidade. O estacionamento custa 3 euros a hora/fração e na rua custa, absurdos, 5 euros a hora/fração! 

O estacionamento tem um túnel que te conduz à cidade. Saímos na rua da praia, praticamente. A vista é bacana, mas a praia...bom, é praia com pouco espaço e pedra. O mar é lindo, mas as nossas praias do Brasil dão de mil naquelas ali, sinceramente. Até na Itália têm outras praias mais bacanas. Viareggio, por exemplo. Mas, a cidade é charmosa demais. Rodamos pelo centrinho e tomamos uma cerveja, curtindo o por do sol.



Túnel do estacionamento

As crianças queriam ir para a praia



Calçadão charmoso de Amalfi

Gracinha, né?


Esacionamento nas ruas da cidade

Pracinha de Amalfi

Igreja! As crianças subiram e desceram umas 10 vezes essas escadas!

Dia cheio! Resolvemos jantar no hotel! Vista por vista, a nossa era maravilhosa!! Banho e cama!

E continua...


10 de maio de 2013

Muitos quilômetros rodados

Aqui também foi feriado no dia primeiro de maio, uma quarta-feira. Aí, resolvemos transformar um feriado no meio da semana em um grande feriado particular: enforcamos a quinta e a sexta! Com 5 dias à disposição, as possibilidades de viagens eram muitas. Pensamos em Paris e Berlim, mas o preço das passagens estavam exorbitantes por causa da possibilidade do feriadão. Decidimos ficar pela Itália mesmo. Ótima pedida! Ô País cheio de coisa diferente pra se ver!

Nosso roteiro foi o seguinte (fizemos tudo de carro):

Milão - almoço em Viterbo (cidade onde Marido morou nos anos 90!) - Praiano (uma cidadezinha da Costa Amalfitana) - Pompéia - Montella (cidade do nosso sobrenome! Chique, né não?) - Maiori -  Amalfi (outras cidades da Costa Amalfitana) - Positano - Sorrento - San Gimignano (cidade mara da Toscana) - Lucca - Milão. Ufa!

Dia 1

Saímos de Milão por volta das 7 da manhã e chegamos por volta do meio dia em Viterbo. Quando estive de férias na Itália há alguns anos, marido me levou pra conhecer a cidade onde ele havia morado. Marido veio pra Itália pra fazer uma pós graduação na área dele. Ficou num apartamento com outros 3 brasileiros e a experiência foi inesquecível. Se bem que na vida dele, inesquecível mesmo sou EU! Né, marido? 

Eu lembrava de uma cidade murada bem lindinha com uma rua para pedestres muito movimentada e cheia de lojas e restaurantes, uma igreja grande e uma praça. Além disso, almoçamos numa micro cantina que se gabava de ter mais de 170 opções de molhos para comer com espaguete. La Cantinella era o nome. Ah! Na minha primeira visita à cidadezinha medieval, fomos a umas termas a céu aberto que têm por lá e ao prédio que marido morou. Muito bacana.

Nesta nova visita, reconheci o muro, a ruazinha do comércio, achei a igreja e a praça. A cantina mudou de lugar e virou La Spagheteria. Mas não almoçamos lá. Entramos na cantina às 12:50 e a proprietária, com super foco no cliente, disse que não podia nos receber pois só abriria às 13:00! ÃH? A cidade vazia, entram 4 pessoas, 10 minutos antes do horário "oficial" e ela nos colocou pra fora?! Euzinha, se fosse dona da cantina, receberia as pessoas, ofereceria uma bebida, um pãozinho e explicaria que a cozinha abriria rapidinho, em 10 minutinhos. Mas...euzinha não sou dona de restaurante na Itália...então, não vale isso, né? Bom, è così...saímos e entramos em um restaurante bem pequenino e charmoso.

Antigo La cantinella
Me recuso a colocar a foto da nova! Humpf!

O prédio do marido foi quase um parto pra achar (acho que a cidade cresceu!). Marido disse que muita coisa mudou na região que agora tem até supermercado bem na rua da frente. Fomos à escola que ele estudou e almoçamos num restaurante pequenino e delicioso.

Marido morava nesse 1o. andar!

  

Muro super conservado da cidade

As ruas estavam vazias por causa do feriado


Única foto que temos no restaurante...fora de foco!
Passamos 2 horinhas em Viterbo e seguimos viagem rumo a Praiano. A Marcella, nossa GPS, disse que chegaríamos em 4 horas. Só que a Marcella não conhecia o poder da Circumvesuviana em dia de feriado!! Esse palavrão aí é o nome da estrada que passa por todas as cidades da Costa Amalfitana. É um trecho, super estreito, encravado nas pedras, com 60 km e que vai de Sorrento a Salerno. Nessa estrada você pode ver de um lado, as montanhas de pedras, com as cidades encravadinhas (pra cima ou pra baixo), do outro, um precipício e o mar. Lindo e perigoso! Simplesmente, a estrada mais tensa que já vi. 

41 km/h! Na hora da foto, estávamos correndo! A média é 20 / 30 km/h


Além de estreita, é preciso buscar seu espaço entre os grandes ônibus,
as milhares de motos, ciclistas, pedestres e carros estacionados
ao longo da via. Coisa de doido! Ali, vaga boa é vaga no meio da estrada

Antes de irmos, pesquisei bastante sobre a Costa e li que quem quisesse apreciar a vista, que é maravilhosa, não deveria ir de carro, pois é impossível olhar para o mar e dirigir ao mesmo tempo. Achei um exagero, mas agora deixo claro para quem quer ir para aquelas bandas: quer aproveitar a vista na estrada? NÃO VÁ DE CARRO. Existem opções de transporte saindo de várias cidades como trem, ônibus ou barco. Você pode fazer sua base em qualquer uma delas e contratar passeios ou apenas comprar a passagem do trem ou ônibus. Cada vez que eu via marido dando uma esticadinha de pescoço para uma espiada rápida, eu dizia "Uiii"! Tenso demais!

A ideia, no primeiro dia, era chegar, deixar as coisas no hotel e seguir para Amalfi, a 10 km de Praiano mas, não rolou. Marido tremeu nas bases só de pensar em encarar a circum (tô íntima!) de novo! O que piorou nossa situação foi o feriado. Toda a população de Nápoles foi para o mesmo lado que nós e o engarrafamento estava gigantesco. 

Escolhemos Praiano depois de uma longa busca por hotéis na internet. Os hotéis que me recomendaram em Sorrento não comportavam 4 pessoas no quarto e, como teríamos que pegar 2 quartos, o preço ia para as alturas. Ficar em Nápoles passou pela nossa cabeça, mas quando imaginamos sair todo dia daquele caos de cidade grande para ir para as outras cidade, desistimos. Tentamos Salerno, mas ficaria distante das cidades mais no início. Aí, vimos uma avaliação excelente de um hotelzinho em Praiano. Entre Amalfi e Positano (dizem, a praia mais charmosa da região. Mas, há controvérsias!). O que nos conquistou foi o fato do Tramonto d'Oro ter estacionamento, quartos amplos e um terraço maravilhoso com vista para Positano. A escolha não podia ser melhor. Praiano fica bem na metade da circum, o que facilita ir para um lado ou para outro. Além disso, a relação custo X benefício foi adequadíssima. O atendimento de primeira qualidade é um diferencial (é da mesma família há 60 anos e eles moram no próprio hotel! Conhecemos a dona, uma senhorinha muito simpática e a filha dela que cuida de tudo por lá). O restaurante é excelente. E ainda tem piscina no terraço mas, o que mais  chamou a minha atenção, foi o foco na satisfação do cliente. É um hotel em que eles fazem tudo pra facilitar sua vida. Não tem cotoletta no cardápio, mas as crianças querem? Eles dão um jeito e fazem. Não tem serviço na piscina em baixa temporada, mas as crianças querem almoçar sem sair de lá? Eles fazem e ainda servem lá em cima! Não está funcionando o canal de desenhos infantis? Eles arrumam na mesma hora. Precisa de 4 senhas para a internet? Eles fornecem e isso tudo sorrindo! Voltaria com certeza ao hotel, mas antes, compraria um helicóptero para chegar lá. Ô estradinha traumatizante...

O hotel é interessante, pois ele é para baixo. Como fica no morro/montanha de pedra. Você estaciona o carro na altura da circum e entra na recepção. Aí, pega o elevador e desce 3 andares, no caso do nosso quarto! A piscina fica acima da recepção. Só isso tem pra cima. Ah! Para ir à praia da cidade, tem uma passagem no hotel. Basta descer 400 degraus e voi la! Ah! E lembre-se de que tudo que desce, sobe! E aí? Vai encarar?

Voltando ao finalzinho do nosso primeiro dia...

Marido exausto + criancinhas famintas + vista inacreditável do restaurante do hotel = vamos ficar por aqui mesmo!

Estacionamento do hotel, um diferencial na região
Tá vendo aquela gradinha ali em cima do predio branco?
É a piscina

Terraço do restaurante do Tramonto

Vista para Positano! Ô vida dura!

Terraço e vista da cúpula da igreja de Praiano

Depois do jantar, cama!! O dia 2 foi inesquecível. Vai perder?