20 de junho de 2012

L.U.V, Madonna! Y.O.U, you wanna!

Semana passada teve o show da Madonna aqui em Milão. Eu havia comprado os ingressos em fevereiro enquanto estava no Brasil! Eu estava animadíssima, pois era o meu primeiro grande show, considerando que Menudo, Xuxa e Bandas de Axé não contam como rande show...E vou falar uma coisa: não foi um show, foi um espetáculo! Sim, por que a Madonna é A MADONNA!

Mas, vamos começar do começo:  o show estava marcado para as 20:00. Saímos de casa umas 19:15, pois moramos bem pertinho do estádio, bastou atravessar uma mísera ruazinha. Muito bom! Tudo muito tranquilo, muito organizado. Facilmente entramos e encontramos nossos lugares. Depois de meia hora só sentindo o cheiro dos cigarros e charutos alheios (todo mundo fuma nessa cidade, menos eu e marido!), às 20 em ponto, o DJ Martin Soveig começou a tocar. Animou o pessoal com algumas músicas da Madonna que não seriam contempladas no show e outras músicas super atuais. Lógico que teve o momento "bate estaca" que nem eu, nem marido gostamos, mas....faz parte. Ele fez um show de uma hora exata de duração e...nada. Nada de D. Madonna. Só às 22:00 ela deu o ar da graça, mas valeu a espera.





Quando ela entrou, o palco se transformou numa espécie de igreja e ela cantou Girl Gone Wild, o segundo single do álbum "MDNA" (nome da turnê) lançando este ano. Nessa hora, eu já estava ganhando do marido no placar de quem conhece mais as músicas da Madonna, pois conhecia a música nova todinha e sabia o grito de guerra da galera: L.U.V, Madonna; Y.O.U, you wanna! Marido me deu uma olhada do tipo: "como assim?! Onde você aprendeu isso?". Mas, foi só essa que eu sabia mesmo. Aliás, queria contar que amei a coreografia dessa música. Gente, o que são aqueles bailarinos de meia calça e salto alto! Fashion demais! Muita inversão de papéis! O máximo!


Depois, teve uma parte enorme em que ela só cantou hits novos e eu...bom, eu já sou uma senhoura! Sou do tempo de Like a Virgin e Papa Don't Preach...se bem que ambas estavam no repertório. Com uma roupagem beeeem diferente, mas estavam lá. Like a Virgin agora é no piano e muito lenta. Eu gostei. Ficou bacana. Já a outra, foi só um pedacinho...nem deu para sentir o gosto. 

Amei quando ela cantou Vogue! Muito, muuuuuito legal!  Inacreditãvel que aquela mulher tenha mais de 50 anos! Corpo todo no lugar, dança e canta ao mesmo tempo sem parar! Ela tocou violão e guitarra umas 3 vezes e dava pra ver o braço malhadão!

Das antigas, ainda teve Open Your Heart e Express Yourself, em que ela dá uma sacaneada na Lady Gaga quando mistura com Born This Way e She´s Not Me. Achei muito bom, pois acho a Gaga meio... 

Mas, o ponto alto pra mim foi o encerramento quando ela cantou Like A Prayer no melhor estilo Mudança de Hábito. Todos os bailarinos vestidos de freira, formando um coral e batendo palmas. A plateia foi ao delírio! Inclusive eu! 

Teve uma hora em que ela falou com um dos dançarinos: "Hi sweety, good to see you here...". Eu só soube no dia seguinte que se tratava do filho dela, o Rocco, e nem tenho muita certeza se a participação dele foi essa mesma, mas li num jornal...deve ser ele mesmo. 

Eu esqueci minha máquina e só pude tirar foto com o celular...pena. Vou ter que ir em outro para ter fotos melhores!! Voltei pra casa cantando! E reclamando que o marido tinha estacionado o carro longe demais!

18 de junho de 2012

Eu, uma ilha

Estou num aniversário de um coleguinha da Duda. Faz um calor pazzesco e eu me sinto uma ilha cercada de mães magérrimas e bronzeadas artificialmente por todos os lados! Alguém tem um salva vida? Eu vou pular!!

13 de junho de 2012

Romantismo à flor da pele

Eu: Marido! Hoje é dia dos namorados!
Marido: Não, é só lá no Brasil. Aqui, já passou!

Esse foi o ápice do romantismo aqui em casa!

12 de junho de 2012

Apanhadão


Bom dia! Vamos aos últimos acontecimentos...

1. Estou com uma gripe bem forte. Completa e totalmente congestionada. Acho que entupiu também meu cérebro! Encontrei com uma mãe da escola na rua. Ela estava toda simpática e eu não conseguia dizer uma palara em italiano. Sério. Bloqueio total. E ela falava, falava, falava e as palavras não vinham nem na minha mente, nem na minha boca. Foi horrível. Eu sorria, um sorriso bem amarelinho, e...só. Foram os 2 ou 3 minutos mais longos da minha vida. Consegui, ao final, dizer "ci vediamo"! Só. Com certeza ela teve uma péssima impressão, pois foi a primeira vez em que "conversamos". Saí dali e fui direto para a farmácia. A atendente me perguntou se poderia ajudar. Pensei: quero descongestionante cerebral!, mas falei: por favor, um descongestionante nasal! Agora, o nariz já está bom...o cérebro? Vou testar daqui a pouco.

2. As férias das escolas italianas já começaram. Eu me lembro de quando as férias de verão no Brasil eram de dezembro a março. 3 meses! Uma maravilha. As coisas continuam assim por aqui. Muitos e muitos meses de férias. Na escola dos meus filhos, as crianças terão aula até o final do mês de junho, mas cerca de 20% dos alunos já viajaram. Várias amiguinhas da Duda também. Na falta de amigas de carne e osso, ela fez uma boneca gigante de papel. Colou várias folhas, deitou e fez o formato do próprio corpo. Depois, recheou com olhos, boca, nariz, roupas. E deu um nome: Maria Fernanda. E Maria Fernanda faz parte da família agora. As crianças aqui em casa são proibidas de assistirem novela. Eu assisto à novela das 9 e sempre que começa digo a Duda que é hora de ir para o quarto. E ela vai. Às vezes vai e volta rápido e fica tentando assistir alguma coisa...mas eu não deixo, não. Aí, na semana passada, ela deixou a Maria Fernanda sentada no sofá. Marido a chamou e disse para levar Maria Fernanda para o quarto. Duda respondeu: "Maria Fernanda é mais velha. Ela pode assistir novela!". E Maria Fernanda assistiu Avenida Brasil comigo e, segundo a Duda, adorou!

3. Fomos ao Gardaland! E compramos nosso abonnamento, isto é, nosso passaporte anual. Com ele, podemos entrar no parque quantas vezes quisermos até novembro! Eba!! E já abduzimos a Cris, o Cléber e as crianças. Eles foram conosco, gostaram e compraram o passaporte também! Êba! Muito Gardalandazinho na veia!




4. Lembram da partida de futebol do Dudu? Pois é, agora temos fotos! Meu filhote arrasou na sua primeira partida oficial pelo Milan e adorou! Disse que prefere as partidas aos sábados, pois elas duram só 30 minutos! Cansa menos que as aulas que duram 1 hora! Esse é o meu craque! Nasceu para jogar futebol!
  




5. Minha filha já tem profissão: estilista de sapatos! A danada criou um sapato muito bacana. Fez uma estrutura com papel A4 no própio pé e cobriu com fita gomada! Ficou muito interessante e é igual as Havaianas - as legítimas, pois não deforma e não solta as tiras! Ela levou para a escola e duas professoras vieram falar comigo sobre a invenção. Disseram para investirmos na criatividade dela! Pense numa mãe orgulhosa! E, se isso vingar, pense numa mãe que nunca mais vai precisar comprar sapatos! Agora, pense numa mãe que vai explorar a própria filha!!
  

6. Está aberta, oficialmente, a temporada de piscina por aqui. Já aproveitamos e fizemos um dia de piscina e churrasco!


7. Aqui é assim, se cabe uma das rodas do carro, o povo já considera vaga. Aí, você pode se perguntar: mas e as outras 3? A resposta é: não interessa onde elas vão ficar! É così...



O pior nesta foto é que era uma vaga, mas a criatura estava...sei lá...sem saco de estacionar direito. Largou o carro desse jeito. Dá vontade de ligar para o guincho, não?

8. No encerramento da escolinha de futebol do Dudu, organizaram uma partida de futebol entre pais e filhos. Lógico que incluí o marido nessa. Não sei jogar futebol e tenho pavor da bola....Marido rebolou, mas conseguiu chegar para o jogo. Foi muito divertido e os pais se empolgaram tanto que quase não passavam a bola para as crianças! Uma mãe gritava ao meu lado: "Passa para as crianças! As CRIANÇAS!!!!"



Não percam a próxima edição!

11 de junho de 2012

RIP Homem Aranha

Tenho visto muuuuitas fotos dos amigos em festas juninas. E eu adoro festa junina. E isso é uma das coisas que sinto muita falta, pois íamos a várias todos os anos. Toda foto que vejo me faz lembrar dos cheiros e sabores que Brasília adquire nesse período festivo.

Aí, estava me lembrando de uma festa junina em que as crianças foram pescar. Só que, na tal pescaria, ao invés de premiarem os pequenos com bolinhas de sabão, raquetes de ping pong, estalinhos, as crianças ganhavam animais - vivos! E meu filho pescou um rato. Um hamster que foi rapidamente batizado de Homem Aranha.

Dudu voltou para a nossa mesa - eufórico - com um rato preto numa caixa de sapatos cheia de furinhos. É claro que tivemos que ir até o pessoal da pescaria para comprar casa, comida e roupa lavada palha para o novo habitante da casa, pois seria impossível devolvê-lo já que Marcello tinha se afeiçoado rapidamente ao bichinho.

Pois bem, mudamos para Milão e o rato foi morar na minha sogra. Pouco tempo depois, ele morreu. Homem Aranha tinha problemas de saúde desde muito novo. Ele foi várias vezes ao veterinário especialista em ratos. Pois é, acredita que existe isso? Pois existe. E, a primeira consulta, a gente nunca esquece! Quando cheguei com o rato em casa, escrevi para uma tia contando como foi e replico aqui meu e-mail:

"O rato ficou doente outro dia. Saiu uma bundinha da bunda dele! (é isso mesmo que vc acabou de ler...). Era domingo à noite, eu eu vi uma bundinha cor-de-rosa pra fora...muito estranho. O rato estava muito parado e achei que ele estava sofrendo muito. Guto foi para a internet procurar um veterinário de rato. Achou um que cobrava 220 reais para ver o rato no domingo mesmo, o tal médico estava de plantão. Perguntei se era muito arriscado esperar o dia seguinte (a consulta de segunda à sexta era R$ 90!) e o médico disse que se não havia sangramento, poderíamos esperar. Na manhã seguinte, cedinho, fui para a tal clínica de ratos e olha a conversa bizarra que tive com o médico:

Veterinário: Bom dia, vamos preencher a ficha do paciente?!
Eu: Sim, vamos.
Vet: Nome?
Eu: Homem Aranha
Vet: Que lindo!
Eu: Acho que senhor nasceu para ser veterinário!
Vet: Quanto tempo ele tem?
Eu: Sei lá. Ele chegou lá em casa em junho...
Vet: Qual o problema?
Eu: Olha, nem sei como lhe explicar isso...mas tem uma bunda saindo da bunda dele...
Vet: Ãhhhhh?
Eu: É isso mesmo! Do bumbum dele saiu uma bundinha cor-de-rosa.
Vet: Peluda ou lisa?
Eu: Sei lá. Acho que é lisa...
Vet: E as orelhas dele?
Eu: Ué, ele tem duas!
Vet: Elas estão normais?
Eu: Sei lá Doutor. Acho que sim. Elas estão aí!
Vet: E o nariz? A senhora percebeu alguma coriza?
Eu: O senhor tá brincando né?! Não sei nem onde fica o nariz dele....
Vet: Tudo bem, tudo bem, vamos examiná-lo...

Levaram o rato para a sala de consulta. Pesaram, tiraram a temperatura, o rato ficou agoniado. Até que o médico puxou o bumbum dele e aquele negócio saiu de novo!

Eu gritei: É isso mesmo que saiu de dentro dele! É o intestino?
Vet: Não, ele está com inflamação nos testículos!
Eu: O que?????!!! Saco inflamado??????? Isso existe?
Vet: Sim. É muito comum. Ele terá que tomar anti-inflamatório por 5 dias. Além disso, ele está obeso. Deve estar comendo muita semente de girassol. Vamos ter que adequar a alimentação. A casa dele é muito pequena e vamos ter que trocar. 

Resultado:
Bilhete da pescaria: 3,00
Casa, comida e palha: 60,00
Consulta do rato: 90,00
Triplex novo do rato: 100,00
Comida nova do rato: 40,00
Ter um rato sem saco inflamado: não tem preço!

O Marcello nem dá bola muita bola para o rato de 1 milhão de dólares...quem gosta mesmo dele é Duda. Carrega o coitado pra cima e para baixo. Põe dentro da casa da Barbie, põe chapéu. Carrega com tanta força que o rato fica com cinturinnha de pilão! Coitado, não é à toa que teve inflamação no saco!"
Bom, acontece que Marcello se acostumou a ficar sem o rato...tanto que nem contamos que ele havia passado desta para melhor. Fomos em fevereiro para o Brasil e ele nem lembrou do ratinho. Muito amado o bichinho, né?

Toda essa introdução é para contar sobre o novo morador do condomínio....Nós o conhecemos quando  estávamos saindo do nosso prédio. Um rato do tamanho de um gato! Gigantesco o bicho! Enorme, gordo! Com certeza, vítima de mutação genética! Me controlei para não gritar, mas o melhor foi a reação das crianças:

- Ai! Um ratinho enorme! Que fofinho!

E saíram atrás do rato. Inacreditável. Tentei explicar que aquele rato era de rua, sujinho, que não era um hamster como o Homem Aranha....por que fui falar nisso?! Ai se arrependimento matasse...

Dudu: - Mãe, cadê o Homem Aranha?
Eu: - Ai, filho. lembra que ele ficava doentinho de vez em quando. Pois é, ele ficou dodói e parece que morreu.
Dudu: - É? Morreu. Será?
Eu: - Você lembra de tê-lo visto em fevereiro?
Dudu: - Não.
Eu: - Pois é, acho que ele já tinha morrido...
Dudu: - Ai, tadinho do Homem Aranhazinho, fofinho, pretinho...ai, tadinho. Do homem aranhazinho...morreu, né?

Agora, todo mundo, um minuto de silêncio pela alma do nosso rato preto, de saco inflamado e obeso!

7 de junho de 2012

Cale-se, Heloísa Lima

Falei que só escreveria na próxima semana, mas recebi este e-mail hoje e não consigo conter a minha indignação com relação ao texto da "psicóloga" que o escreveu. Sinceramente, não sei se essa pessoa existe ou não, mas recebi do jeitinho que está aí. E o pior, a pessoa que o enviou escreveu embaixo que tratava-se de um texto pertinente e acreditou que deveria encaminhar para toda sua lista de amigos. Copiei e colei neste post apenas o texto da tal psicóloga.

O que mais me chocou foi o pensamento machista e limitado dessa pessoa infeliz.

Não tenho afeição alguma pela Xuxa. Aliás, acho a Xuxa muito chata, infantilizada (não sei se é um personagem ou não) que fez e faz programas horrorosos que não acrescentam nada na vida de um ser humano, mas não posso negar que ela precisou de coragem - e muita - para abrir o jogo sobre os abusos dos quais foi VÍTIMA . E nunca, sob nenhuma circunstância, devemos duvidar de uma vítima de abuso, ainda mais crianças. E mais, não devemos nunca culpar as vítimas.

É por causa de pensamentos ignorantes como o da D. Heloísa, ou seja lá quem escreveu o texto, que a quantidade de vítimas aumenta a cada ano. Colocar a culpa nas vítimas é, no mínimo, uma imbecilidade. Dizer que uma criança é abusada sexualmente porque usava uma mini saia e uma mini blusa (que a Xuxa a ensinou a usar, pois criou uma "fábrica de lolitas"!) é uma ignorância. Responsabilizar a Xuxa por uma "pedofilização em massa" é absurdo. 

Será que só crianças que usam roupas curtas, a La Xuxa, são violentadas? Duvido. Será que a culpa desse tipo de crime é das crianças ou dos homens (e mulheres!) que pensam que crianças existem para satisfazê-los sexualmente? Pra mim, a culpa é dessas pessoas doentes que acham que uma criança de 5 anos - que usa uma mini saia - o/a está provocando sexualmente, que quer transar com ele/ela. Isso é doentio!  E, se nossa sociedade continuar acreditando que são as mulheres e as crianças que provocam a violência sexual, isso não terá fim. 

Que fique muito claro que usar uma roupa decotada, uma saia curta, NÃO é crime. Crime é violentar uma pessoa incapaz de se defender, crime é violentar uma pessoa que disse NÃO. Isso é crime!

Dizer que a Xuxa deveria se calar é outra idiotice. O disque denúncia recebeu 285.000 ligações após a declaração da apresentadora. Só por isso já valeu a pena ter dado a cara a tapa. Gostaria de saber se a Xuxa fosse filha, irmã, prima, amiga de D. Heloísa...ela pensaria da mesma forma?!  


CALE-SE, XUXA! - por Heloisa Lima

QUANDO O SILÊNCIO É A MELHOR ALTERNATIVA

Não vi a comentada entrevista da tal xuxa no Fantástico deste domingo,
dia 20/05. Mas não pude ignorá-la por muito tempo, pois a primeira
notícia que recebi nesta manhã, logo cedo, foi: "- Cê viu que a xuxa
foi abusada na infância?"


Fora o surrealismo da revelação, ocorreu-me que aquela, certamente,
não era a notícia que desejava ouvir logo no início da semana. Afinal,
como uma mulher de 50 anos, aparentemente esclarecida, só agora,
passado todo esse tempo, resolve falar sobre algo tão grave? E por que
me irritou tanto esta informação? Parei para refletir sobre o motivo
deste sentimento e, confesso, não foi difícil descobrir.


Esta senhora, lá pelos seus primórdios, vivia no mesmo condomínio do
meu irmão, no Grajaú, Rio de Janeiro. Lembro-me das minhas sobrinhas,
ensandecidas, indo buscar as grotescas sandalinhas cheias de brilhos
no apartamento dela, na esperança de encontrar o Pelé que, vira e
mexe, dava as caras por lá.


Desde os seus 20 e poucos anos de idade, ela comanda programas
infantis cuja tônica é erotizar precocemente as crianças,

transformando meninas em arremedos de mulheres sem se preocupar com
sua vulgarização. Os programas que comandou sempre tiveram como mote atropelar o
desenvolvimento infantil em sua exuberância repleta de etapas
simbólicas. Pasteurizou os encantos desta fase empenhando-se em
exaltar a diferença entre possuir e não possuir os produtos que
anunciava ou que levavam sua grife tais como sandálias, roupas, maiôs,
lingeries, xampus, bonecas, chicletes, cosméticos, álbum de
figurinhas, cadernos, agendas, computadores, sopas, iogurtes, etc.,
num universo insano onde ela, eternamente fantasiada de insinuante
ninfeta, faz biquinho e comanda a miúda plebe ignara.


Cientes estamos todos de que esta senhora, durante muitos e muitos
anos, defendeu zelosamente seu polpudo patrimônio utilizando-se da
fachada de menina meio abobada que sequer sabia quantos milhões
possuía. Costumava dizer que era a sua empresária que administrava
suas posses cujo montante alegava, candidamente, desconhecer. Pobre
menina rica. E burra, com certeza. Como se fosse possível alguém tão
tapada tornar-se tão rica.


Talvez para esconder a consciência que tinha acerca do quanto ajudou a
devastar a inocência de tantas gerações de meninas que lhe devotavam a
mais pura idolatria, posou de inocente útil usando a mesma máscara que
agora reedita para falar, emocionada, do seu mais novo pretenso
drama/marketing.


Esqueceu-se que sua audiência, formada, na sua massacrante maioria,
por meninas, passou a ser considerada como alvo da desumana propaganda
colocando-as como mero veículo de consumo.


Esqueceu-se, convenientemente, de comentar que milhares de garotas
pelo Brasil afora foram abusadas sexualmente ao mesmo tempo em que
eram, por ela, adestradas a vestirem-se e comportarem-se como
verdadeiras lolitas.


Esqueceu-se de que ensinou atitudes claramente ambivalentes para
crianças que não faziam a mais pálida ideia do que podiam mobilizar em
mentes doentias.


Esqueceu-se de que a erotização tem sido ligada a três dos maiores
problemas de saúde mental de adolescentes e mulheres adultas:
desordens alimentares, baixa autoestima e depressão.


Esqueceu-se também que as crianças, diariamente bombardeadas com
imagens de paquitas como modelos de uma beleza simplesmente
inalcançável enquanto corpos reais, torturavam-se perseguindo um modo
de serem belas, perfeitas, saudáveis e eternas.


Estimulando a sexualidade de forma tão precoce, essas meninas perderam
grande e preciosa fase do seu desenvolvimento natural. E reduzir o
período da inocência, certamente, acarretou-lhes desdobramentos
nefastos.


Daí para ideia, cada vez mais presente, da infância como objeto a ser
apreciado, desejado, exaltado, numa espécie de pedofilização
generalizada na sociedade foi, apenas, um pequeno passo.


Num país onde as mães deixam suas crias, por absoluta falta de opção,
frente à tevê sem qualquer tipo de controle e sem condições para
discutir o conteúdo apresentado, encontrou esta senhora terreno mais
que propício para disseminar sua perversa e desmedida ganância por
audiência e dinheiro.


Fosse ela uma pessoa minimamente preocupada com a direção que a
sexualidade exacerbada e fora de contexto toma, neste país onde
mulheres são cotidianamente massacradas, teria falado sobre este
suposto drama muito tempo
atrás.


Teria tido muito mais cuidado com os exemplos de exposição que passava.
Teria norteado seu trabalho dentro
de parâmetros muito mais educativos e, desta forma, contribuído para
que milhares de meninas fossem verdadeiramente cuidadas e respeitadas.
Ou teria simplesmente virado as costas e ido embora.

Logo, frente ao seu histórico, não tem mesmo nenhuma autoridade para
sustentar qualquer atitude fundamentada em belos e necessários
méritos. Porque são de grandes valores, bons princípios e atitude exemplares
que nossa sociedade necessita de maneira URGENTE.
Portanto, CALE-SE, XUXA!
Heloisa Lima
Psicóloga Clínica - Maio de 2012.

6 de junho de 2012

Ai, ai

Preguiça de escrever....semana que vem, eu volto. Quem sentir falta de mim, deixa um comentário!